Chegou o fim do expediente e a vontade de ir para casa era grande, mas não o suficiente para tirar o desejo daquela velha cervejinha gelada ao final de uma sexta-feira. Na falta de dinheiro no bolso a solução veio em caminhar um pequeno pedaço até o supermercado que tinha um caixa eletrônico, tirar o dinheiro, passar no posto comprar a long neck e o cigarro que tinha acabado. Tudo certo e maquinado na cabeça, mas infelizmente o caixa eletrônico em questão estava quebrado, a solução então era comprar a long neck no supermercado mesmo e pagar no débito automático. Isso! Gênio! Tudo certo! É certo por um detalhe, no mercado não vendia cigarro. Triste vício.
Já a caminho de casa, sem cerveja gelada nem cigarro teve a ideia, nem foi uma ideia tão boa assim, na verdade ficou a sensação de idiota por não ter pensado nisso antes. Era só passar no posto, pedir uma long neck geladinha, o cigarro e depois pagar no débito automático. Olha aí. E assim se fez feliz, realizado com a cerveja em uma mão e o cigarro na outra, a sensação era aquelas do tipo “sou um adolescente inconsequente novamente”. Enquanto a cerveja e o segundo cigarro acabavam ele começava a perceber o quanto estava suado, também pudera, depois de um dia todo dentro da agência e essa caminhada em busca dos vícios, só podia estar exalando esse odor nada agradável, mas logo pensou que era só chegar a sua casa e tomar um banho, estaria novo dinovo, sem odor de cigarro ou cerveja ia abraçar a filhinha e deitar no sofá pra assistir um filme, merecido final de sexta-feira.
Seria tudo perfeito, chegou ao prédio abriu o portão e subiu os três andares até o apartamento, viu sua pequenina falar “papai”, brincou um pouquinho evitando chegar muito perto por conta dos odores e aí ouviu a voz da mãe a falar: - Está faltando água. Poutz... Na hora pensei na maldita hora que resolvi caminhar atrás da cerveja e cigarro, além do suor o cheiro nada agradável desses ingredientes, definitivamente esse não era o meu final feliz de sexta-feira. O único alivio foi saber que a mãe e a filha já haviam tomado seus banhinhos e estavam limpinhas, daí foi colocar um travesseiro no chão e tentar dormir com a companhia da nhaca, para no dia seguinte poder tomar um banho ao chegar na agência.
Foi o melhor banho da minha vida!