Você nasceu e antes mesmo que pudesse pensar em estar vivo já havia pessoas fazendo planos por você, aonde você iria morar, o que você iria comer, a princípio nada foi decidido por você. Suas escolhas podiam basear-se pelo choro, mas que por vezes não seria atendido, e as lágrimas correriam em vão até secarem em um rosto triste de espera, de desespero, de desilusão.
A vida lhe fez uma promessa de dedos cruzados, sua trajetória seria linear em crescimento, união, realização e descanso. Objetivos traçados em meio aos barracos ou palácios, mas nunca em dificuldades que não pudessem ser ultrapassadas, tudo relacionado ao tempo, que resolveria o desabar em cacos como mágica de desenho animado no cortar de cena tudo novo novamente.
E com o passar dos anos você percebe que os dedos cruzados foram só fantasias, disfarces de um mundo que não existe sem tristeza, onde felicidade e alegria só se tem como sentido se antes a dor for intensa ao ponto de não se deixar esquecer. Mas a busca por estar bem continua levada em ventos paralelos do que é o cotidiano, no universo encantado de dedos cruzados, imaginado e antecipado até que o mundo se mostre como verdadeira realidade.