segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Singular | Plural

Um coração em pedaços. Um olho cheio de lágrimas. Um amor inacabado. Um pedaço de alma. Uma vida. Uma insatisfação. Um pouco de tristeza. Uma imensidão. Um vácuo. Uma paisagem. Um coração. Um desvio. Singular é a vida. Singular minha dor. Plural de tristezas. Plural do obscuro. Cheio de vida. Vazio de esperança. Cheio agora. Apenas do vazio.

Sem depender só de mim

Do que eu sinto não cabe poesia, beleza ou paz. Faz-se de revolta e insatisfação das coisas que nada posso fazer. De coisas que não dependem de mim, de atitudes que não são minhas, mas que me prejudicam diretamente. A sensação é de querer fazer o bem por todos e todos fazerem o nada por você. O instinto logo se chama ficar sozinho. Buscar paz, mas como? Se mesmo, desde criança, não sabemos sermos sozinhos. Encanta-me quem se faz solitário. Quem consegue no nada ver felicidade, de quem é egoísta e sabe pensar apenas em si próprio. Pra mim é sempre assim. Difícil, inconstante, felicidade acompanhada de infelicidade. O que melhora hoje piora amanhã e solução não se encontra. Tudo porque minha vida é assim, sem depender só de mim. Não adianta, realmente, fingir que está tudo bem. É encarar o quanto é engraçado para outros, a solidão quando não é sua.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Chato

Cara, ao contrário do que você pensa, ou faz com que os outros pensem que você pensa assim, ninguém gosta de conviver com alguém que reclama o tempo todo. O tempo. O programa. A cadeira. O computador. Sua mãe. Seu pai. Sua irmã. Tudo na sua vida parece ser uma merda. Escuta homem, desse jeito você vai ficar sem ninguém. Você é muito chato meu velho. Esforça-se um pouco. Seja menos preguiçoso. Levanta a bunda da cadeira e tome atitudes que agradem não só a si próprio. Nem sempre você precisa ser o “espertinho”. Que tal tentar o ser o “bacana”. Experimenta. Pode ser proveitoso. E tem gente que ainda se ilude com você. Sai pra lá doidão. To fora de viver com esse ser temperamental. Quer viver sozinho. Que assim seja. Rabugento e cada dia mais infeliz! Ah sim, já ia me esquecendo. Deixa de ser mal agradecido meu caro rapaz!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Futebol

Do grito de gol, da beleza de um drible, da emoção da torcida, do toque de bola, do chute do craque, de uma bela defesa do goleiro, do time do coração, da sensação de ser campeão, de sentir-se parte do campo, de imaginar-se jogador, de gritar com o juiz, de perder o domingo na televisão, de assistir comentário a noite toda, de ir pro campo, de ouvir o radinho, de procurar jogo na internet, de comprar o pacote na TV a cabo. Futebol. Você entende porque gosta. E tem gente que não vai entender você. Mas você é mais seu time. São os 90 minutos de emoção. Vibração. Brigas. Chateação. O jogo é esse. A magia é esta. A gente é que faz. A gente é que sente.

29 e 30

Na sala de aula do 2º ano do ensino médio eram os amigos que sentavam lado a lado, faziam os trabalhos em grupo, jogavam basquete e futebol nas aulas de educação física, saiam nos fins de semana e bebiam. Amigos mesmo, até na chamada eram inseparáveis, números 29 e 30. Seguiram juntos o ano inteiro, mas depois se distanciaram. Tudo porque o 30 foi morar longe. Terminaram o 3º ano em escolas diferentes, enquanto o 30 estudava em escola particular e fazia cursinho, o 29 se esforçava nos livros para tentar um vestibular nas instituições públicas. No ano seguinte o 30 estava fazendo seu curso superior, enquanto o 29 começava a trabalhar como cobrador. Quatro anos depois o 30 se forma e o 29 tenta uma vaga de motorista. Essa é a realidade do Brasil. País de 3º mundo. Desigualdade social. Oportunidades diferentes, onde o esforço nem sempre é tudo. Onde às vezes, mesmo muito remando pode no meio do caminho acabar ficando. Onde o 29 e o 30, mesmo sendo tão próximos, acabam que um é par e o outro é ímpar. Acaba que oportunidade, nem todo mundo tem. Acaba que sucesso é coisa de quem nasce com sorte. Acaba que nem todo homem de bem, acabe bem. Acaba que 29 e 30 de uma junção de amizade, se distanciem no valor da realidade.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Verdade | Mentira

Só quero ir. Me deixa vai. Quero viver assim. Sem ter no que pensar. Deixe-me sozinho. Não quero mais me preocupar com o que você vai pensar. Vai para onde você quer. Aqui não é o seu lugar. Deixa-me viver dos meus vícios, não insista. Quero agora! Parar de pensar. Vou ignorar. Não tenho mais porque estar nessa merda de lugar. Pare de falar. Quero viver na fantasia. Novamente me entregar ao som do nada. Ao ver do vácuo. Ao degustar de coisa alguma. No fundo, de verdade. Apenas quero ser eu. Mas já não sei se me conheço. Já não sei se me encontro. Já não sei nem ao menos se estou perdido. Vai ver. Ser já não é mais ser. E viver é apenas não pensar em nada. Só sentir a insanidade de ser o que outros querem. Cansei. Desisto. Volto a ser apenas a ilusão da felicidade. Pois felicidade de verdade. É desencontro da realidade. E assim deixa cada um na sua. Que pense saber o que quer ser. E seja apenas a mentira do que se espera da verdade.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Quem é você?

Diz-me quem é você. O que quer da vida? Do que gosta? De quem gosta? O que faz? Diz-me aí o que você sente e quem faz com que você se sinta assim. Quais são os momentos bons da sua vida? Quais os que merecem suas lembranças? Quais os que lhe tiram suas noites de sono? Quem é você? Pergunto-lhe novamente? O que você fez ou está fazendo da sua via? Parece magoar quem lhe quer bem. Parece não se importar com quem se importa com você. O que você sente afinal? Quem é você? Não lhe reconheço! Não trabalha com a mesma felicidade. Não vive com a mesma intensidade. Quais são os seus planos? Por que se distancia tanto das pessoas? Por que não faz mais o que gosta? Por que não se sente tão bom? Por que se diminui? Pare com isso cara! Apenas viva. Seja feliz. Pare de se perguntar, quem é você e apenas seja.